You to Bakemono ni Chichi ga Tsurai

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Estou acostumada a ler shoujo e shounen, majoritariamente. Então, a relação entre pais e filhos costuma ser pouco explorada, isso quando não inexistente. Por isso ler histórias que focam nesse relacionamento sempre parece estranho e desconfortável e bem no caso de You to Bakemono é.

Baseado na vida da autora Mariko, conta os percalços da sua vida atribulada ao lado do pai alcoólatra. Desde que ela era criança, o pai gostava de jogar e beber, e isso era uma realidade comum na infância dela e da irmã.

A trama vai mostrando como eventos simples como ir com a família à piscina ou ver a florada das cerejeiras são arruinados pelo pai, que bebe e acaba causando constrangimento às filhas. A mãe tenta ao melhor contornar a situação, mas não tem muita força para reagir além de sorrir e manter as meninas o mais afastadas possível do pai. Mesmo porque, ela sofre em silêncio, com um marido que a vê apenas como empregada e que constantemente causa problemas por dirigir bêbado ou discutir com os vizinhos.

O traço é leve e quase infantil, mas a história vai ficando cada vez mais angustiante e pesada conforme o alcoolismo do pai vai se tornando mais intenso e problemático. Mari vai reprimindo sentimentos pelo bem da família e tentando não se abalar por toda essa situação, mas quando ela entra em um relacionamento abusivo, fica claro que ela só estava tentando fugir da situação que vivia em casa, e que mesmo depois de tudo, ela acabou escolhendo um cara que é praticamente uma cópia do pai dela.
Arruinando o passeio familiar

Por se tratar de um único volume, algumas passagens acabam sendo resumidas, mas isso não tira o impacto dos acontecimentos, tipo quando a mãe da Mari foge de casa ou quando o namorado, num surto de ciúmes, a agrediu no meio da rua.

Mari não tenta florear a trama, ela mostra a vida com toda sua crueza, quando finalmente ela tem uma notícia boa, como quando seu mangá foi aceito pela revista, seu namorado vem puxar seu tapete dizendo que quando eles casassem, ela não iria mais trabalhar. E sempre que algo bom acontece, parece que algo ruim acontece logo em seguida.

Eu gostei bastante de como Mari passa pelos conflitos, suas angústias e decepções, como ela se martiriza por odiar o pai e às vezes, não odiá-lo o tanto que ele merece, como a irmã é um ponto de apoio e no final, ela não se culpa pelas escolhas do pai. É um mangá muito bom e até escorreu uma lágrima.

Mídia: mangá
Volumes: 1
Publicação: 2017
Demografia: seinen
Gêneros: drama
Autor: Kikuchi Mariko

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