Boku Dake ga Inai Machi

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Com a habilidade de voltar no tempo, Satoru precisa impedir um assassinato que aconteceu durante sua infãncia.

Mídia: mangá
Publicação: 2012 - 2016
Volumes: 8
Autor: Sanbe Kei
Demografia: seinen
Gêneros: drama, fantasia

Sinopse: O mangaká novato Satoru Fujinuma não é muito bem sucedido, mas possui um talento sobrenatural de ser forçado a evitar mortes e catástrofes ao ser enviado de volta no tempo antes da ocorrência do acidente, se repetindo até que o acidente seja impedido. Um dia, ele se envolve em um incidente que ele mesmo é enquadrado como assassino. Desesperado para salvar a vítima, ele volta no tempo só para encontrar a si mesmo como um aluno do primário, um mês antes de sua colega de classe Kayo Hinazuki desaparecer.

Comentários: Eu comecei a ler porque fiquei sabendo que ia sair o anime e um filme em live, mas eu não sabia quase nada da história e não estava botando muita fé na trama do mangaka fracassado, mas a trama é realmente boa.

Satoru não é o típico herói, mas é bastante idealista e está disposto a tudo para proteger as pessoas que ama. Assim com sua habilidade de voltar no tempo, ele se envolve em uma trama que remete a sua infância. Por mais que não seja muito explicado como ele consegue voltar tanto no tempo, já que no início é mostrado que ele volta apenas alguns segundos, a trama consegue se sustentar.

Satoru, quando retorna no tempo, volta ao seu corpo de criança, mas com a mente de adulto, por isso, mesmo que sua missão seja impedir o assassinato de uma colega de escola que anos depois culminará na morte da mãe do rapaz, o qual ele é incriminado, ele precisa se readaptar a vida de criança, sem dar bandeira que ele não é mais o Satoru de sempre.

O autor consegue construir uma trama que progride lentamente, mas sempre te mantem interessado. Satoru não sabe exatamente com Kayo morre ou quem é o responsável, nem quando isso acontece, por isso, ele precisa bolar vários planos diferentes para conseguir cumprir seu objetivo.

Cada vez que Satoru fracassa, ele volta a sua linha do tempo normal e acaba implicando em mais problemas para si e Airi, colega de trabalho que acredita na inocência de Satoru em relação ao assassinato da própria mãe. Esses problemas acabam por afetar a moça e se tornando um incentivo maior para que Satoru tente corrigir os problemas do seu passado.

Kayo, a garota que ele precisa ajudar, é isolada e solitária. A menina é muito fechada e tem uma infância muito complicada. Ela demora muito a confiar em Satoru e seus amigos, mas ao se integrar no grupo, é possível ver que mesmo com todo o pavor que sofre em casa, ela tem tudo para ser uma garota normal.

Assim, a influência de Satoru não afeta apenas Kayo e sua família, mas também seus amigos e as vidas de outras garotas que também seriam vítimas do mesmo assassino de Kayo. Apesar de eu achar a motivação do “vilão” não exatamente muito convincente, acaba funcionando bem dentro da história, já que são pessoas normais, moldadas por passados muitas vezes traumáticos e que se apegam a coisas pequenas para se sustentar, como uma ilusória sensação de poder.

Talvez a coisa que mais me surpreendeu foi a ousadia do autor com o plot twist a partir da metade da história. Imaginei que depois que Satoru tomasse conhecimento do assassino e suas motivações, ele voltaria ao presente e resolveria o problema ali, sem realmente poder mudar o destino das pessoas com quem viveu, mas o autor teve uma saída inteligente e ao mesmo tempo arriscada. Eu particularmente gostei muito da maneira como a trama se desenvolveu a partir desse ponto, pois fugiu muito do “lugar comum” de tramas que trabalham com paradoxos temporais.

Outro destaque fica para o desenvolvimento dos personagens. Quase todos têm suas histórias e motivações destrinchadas, principalmente os que têm contato maior com Satoru, mas Sachiko, a mãe do rapaz é a melhor personagem. Em partes porque foi um dos poucos casos que vejo uma mãe tão ativa numa trama (a mãe de Haruo em High Score Girl também merece créditos). Ela não só é inteligente, como é presente e apoia o filho em tudo o que pode. Mesmo que transpareça parte da melancólica de ser uma mãe solteira, ela é muito determinada e chega a comprar as brigas do filho e de Kayo, como no momento em que ela decide enfrentar Akemi, mãe da menina, sobre as funções de uma mãe.

Mesmo depois da grande reviravolta na trama, ela sempre acreditou no filho e sempre esteve ao seu lado. Foi sem dúvida uma das melhores que eu já vi em obras japonesas. O traço é competente, sem ser muito exagerado nem muito gracioso. Acho que cumpre bem o papel dentro da trama.

Por que ler? Tem uma pegada inteligente e bem amarrada.
Por que não ler? Final em aberto? (Não bem em aberto, mas para quem gosta de um “felizes para sempre”, não é bem isso)
Onde encontrar: Pode ser encontrado em português pela AMA Scans ou em inglês pela Death Toll

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